A Chogan é uma pirâmide? Não, pelo menos não à luz da lei. A Chogan é uma empresa de venda direta com marketing multinível (o chamado MLM), um modelo legal em Portugal e na União Europeia, e nenhum regulador, cá ou na Europa, a classificou como esquema em pirâmide. A pergunta é justa e vou respondê-la com factos, porque a diferença entre um MLM legal e uma pirâmide ilegal não é questão de opinião: está escrita na lei, e o que a decide é uma coisa só, de onde vem o dinheiro que ganhas. Se vem sobretudo de vender produtos reais a clientes, é venda direta. Se vem sobretudo de inscrever gente nova, é pirâmide. Aqui mostro-te onde a Chogan se encaixa, e também as críticas justas que se lhe fazem.

Escrevo isto como consultora independente da Chogan, e digo-o já: ganho quando vendes e quando entras para a minha equipa. Mesmo assim, não me interessa pintar-te um quadro cor-de-rosa, porque quem entra a pensar que é dinheiro fácil desiste em dois meses e sai a dizer mal. Prefiro explicar-te o modelo como ele é, com a lei à frente, para decidires sem ilusões.

O que diz a lei portuguesa sobre esquemas em pirâmide?

Em Portugal, os esquemas em pirâmide são proibidos. Estão na lista de práticas comerciais consideradas enganosas “em qualquer circunstância” do Decreto-Lei n.º 57/2008, no artigo 8.º, alínea r). A lei proíbe criar ou promover “um sistema de promoção em pirâmide em que o consumidor dá a sua própria contribuição em troca da possibilidade de receber uma contrapartida que decorra essencialmente da entrada de outros consumidores no sistema e não da venda ou do consumo de produtos”.

Repara na palavra que decide tudo: “essencialmente”. A lei não proíbe ganhar alguma coisa por recrutar. Proíbe um sistema em que o retorno vem essencialmente da entrada de participantes novos, e não da venda de produtos reais. É esse o teste, e é ele que vamos aplicar à Chogan mais abaixo.

Vale a pena separar duas coisas que costumam vir baralhadas. Promover uma pirâmide é, à partida, uma contraordenação, punida com coima (uma multa), não com prisão. A prisão entra quando o caso é uma verdadeira burla, e aí aplica-se o Código Penal (artigos 217.º e 218.º), que a Polícia Judiciária costuma tratar como “burlas em pirâmide”. São planos diferentes: um administrativo, outro criminal.

E quem fiscaliza isto? Não é o Banco de Portugal, ao contrário do que às vezes se lê por aí. O Banco de Portugal só avisa sobre esquemas financeiros, como investimentos ou depósitos, e não sobre uma empresa que vende cosmética e perfumes. Para práticas comerciais desleais, as entidades certas são a Direção-Geral do Consumidor e a ASAE. Até hoje, nenhuma autoridade portuguesa classificou a Chogan como pirâmide nem agiu contra a marca. Isto não é um atestado de que está tudo bem: é apenas a ausência de qualquer decisão em contrário.

Qual é a diferença entre MLM e esquema em pirâmide?

Em linguagem simples, o que separa um MLM legal de uma pirâmide é a origem do dinheiro.

Num MLM (ou venda direta) legal, ganhas essencialmente por vender produtos que as pessoas querem usar. Também podes ganhar por construir uma equipa e receber comissões sobre as vendas dela, mas essa parte assenta em cima de vendas reais a clientes finais.

Numa pirâmide ilegal, ganhas essencialmente por inscrever pessoas novas. O produto, quando existe, é só uma fachada que serve para disfarçar que o dinheiro entra pelas taxas de adesão ou por obrigar cada recruta a comprar stock à cabeça. Um esquema destes cai por terra assim que o recrutamento abranda, porque nunca houve procura verdadeira do produto.

Há sinais de alarme que ajudam a distinguir os dois, e são muito parecidos com os que o Banco de Portugal usa para os esquemas financeiros: promessas de ganhos altos e garantidos, pressão para recrutar acima de tudo, obrigação de comprar stock grande logo na entrada, e pouca clareza sobre como se ganha de facto. Quantos mais destes sinais aparecerem juntos, mais perto se está do limite.

Onde é que a Chogan se encaixa?

Vamos então aplicar o teste da lei à Chogan, ponto por ponto:

  • Há produto real. Perfumes, cosmética, produtos de casa e suplementos, que as pessoas compram e voltam a comprar. Não é dinheiro a circular sem nada real por trás.
  • Podes registar-te só para comprar com desconto, sem recrutar ninguém e sem obrigação de teres stock. Muita gente faz exatamente isso e nunca vende a terceiros.
  • As comissões são pagas sobre vendas, não por cada cabeça que entra. Não recebes por inscrever alguém, recebes sobre o volume de produto que a tua rede vende.

Por estes critérios, a Chogan comporta-se como um MLM, e não como uma pirâmide. Curiosamente, é também o que dizem os críticos mais sérios do modelo: legal, com produto a sério, longe de um esquema onde só circula dinheiro.

Nada disto quer dizer que ganhar seja fácil, e é aqui que sou honesta contigo. A Chogan não publica um relatório de rendimentos, o documento que mostraria quanto ganha, na realidade, a maioria dos consultores. Sem esse documento, ninguém te pode garantir números. O que se sabe, por fontes do setor e não oficiais, é que vender só a clientes rende tipicamente uns 100 a 500 euros por mês, e que ir além disso implica construir e manter uma equipa. Nenhum destes valores é garantido, e convém desconfiar de quem os apresenta como certos.

Então quais são as críticas justas à Chogan?

Dizer que a Chogan não é uma pirâmide não é o mesmo que dizer que está tudo bem. Há críticas legítimas ao modelo MLM em geral, e à Chogan em particular, e acho que as deves conhecer antes de decidir:

  • O peso do recrutamento. Para passares de um extra pequeno para um rendimento a sério, precisas de recrutar e liderar equipa. Quem te promete que “só a vender” se ganha muito está a exagerar.
  • A maioria ganha pouco. É o padrão de toda a indústria de venda multinível: estudos independentes mostram, de forma repetida, que a larga maioria dos participantes ganha pouco ou nada depois de contar as despesas. Não há dados próprios da Chogan que contrariem este padrão geral.
  • A falta de transparência. Sem um relatório de rendimentos público, quem entra decide a parte financeira um pouco às escuras. Reúno o enquadramento legal e a reputação da marca no guia sobre se a Chogan é confiável.

Conclusão honesta: é ou não é uma pirâmide?

Juntando tudo, a minha resposta é direta: não, a Chogan não é uma pirâmide. É venda direta com MLM, legal e com produto real.

Na minha opinião, a pergunta mais útil nem sequer é “é pirâmide?”, mas “compensa-me a mim?”. E aí a resposta é mais matizada: dá para ganhar algum dinheiro a vender bons produtos a preço baixo, dá para construir uma equipa se gostares dessa parte e lhe deres tempo, e não dá para enriquecer sem trabalho. Quem te disser o contrário não está a ser sincero.

Se estás a ponderar entrar, vê primeiro se a Chogan vale a pena no teu caso, com números e expectativas realistas.

E se quiseres perceber o modelo comigo, sem discurso de vendas, fala comigo e explico-te como funcionam a revenda e a equipa, com as contas à frente. Preferes ir com calma? Começa por ver o catálogo e experimenta primeiro como cliente.