Chogan é confiável? Na parte que mais importa, sim: a Chogan é uma empresa italiana real e registada (a Chogan Group S.p.A.), vende produtos verdadeiros em dezenas de países, e nenhum regulador, em Portugal ou na Europa, a classificou como esquema em pirâmide ou como burla. Ao mesmo tempo, ser de confiança é mais do que ser legal: as opiniões dos clientes estão divididas, há reclamações reais de atrasos no envio e de reembolsos, e a liderança da empresa em Itália está a responder a um processo criminal aberto em 2024. Neste guia reúno tudo, o que corre bem e o que corre mal, para decidires com informação a sério.
Escrevo isto como consultora independente da Chogan em Portugal, por isso tens todo o direito de desconfiar do que digo. Vendo os produtos e tenho equipa. Mesmo assim, não me interessa convencer-te com meias-verdades: quem compra ou se junta mal informado desiste depressa e fica com má imagem de mim. Prefiro mostrar-te as avaliações reais, incluindo as que não me favorecem.
A Chogan é uma empresa a sério?
Sim. A Chogan não é uma loja anónima que aparece e desaparece. É a Chogan Group S.p.A., uma sociedade anónima italiana com número de contribuinte (P.IVA 07872640722), registo comercial e contas depositadas. Tem sede em Roma e a produção em Barletta, no sul de Itália, onde a marca nasceu em 2013. A empresa foi formalmente registada em 2016 e, pela dimensão, tinha cerca de 146 funcionários em 2024.
Os números do negócio também são conhecidos. As contas oficiais apontam uma faturação a rondar os 140 milhões de euros em 2023 e perto de 190 milhões em 2024 (valores das contas depositadas em Itália). A marca diz ter à volta de 100.000 consultores e presença em dezenas de países, sobretudo na Europa. Não confundas isto com as estimativas em dólares que circulam em sites especializados: essas são projeções de rede, não contas auditadas.
Nada disto prova que os produtos sejam bons nem que o negócio compense. Prova apenas o mais básico, que já é muito quando se fala em confiança: existe mesmo uma empresa real por trás da marca, com nome, morada e contas públicas. Se quiseres o retrato completo de quem é e do que vende, escrevi um guia sobre o que é a Chogan.
O que dizem as opiniões e o feedback dos clientes?
As opiniões e o feedback sobre a Chogan são exatamente isso: opiniões, e estão divididas. Vale a pena olhar para várias fontes e saber ler cada uma.
No Trustpilot, a página internacional da marca ronda os 3,0 em 5, sobre cerca de 1.200 avaliações (valor de julho de 2026, que convém reconfirmar porque muda com o tempo). É uma nota “média”: há clientes muito satisfeitos com o preço e o cheiro dos perfumes, e outros furiosos com o serviço. No Portal da Queixa, em Portugal, o índice de satisfação está nos 2,0 em 100, mas assenta em apenas 8 queixas. É uma amostra pequena de mais para daí tirar uma conclusão sobre a marca, e há um pormenor que muda tudo: estas plataformas atraem sobretudo quem ficou insatisfeito e quer desabafar ou ser ouvido. Quem fica contente raramente lá escreve. Uma nota baixa diz-te que houve casos mal resolvidos, não que a maioria dos clientes teve má experiência.
Do outro lado, há sites do setor da venda direta que dão à Chogan classificações altas. Também esses se leem com cuidado: vivem do próprio setor e as avaliações vêm quase todas de distribuidores, não de clientes neutros. A leitura mais honesta fica no meio: a Chogan é boa a fazer perfumes baratos que agradam a muita gente, e fraca a resolver problemas quando algo corre mal no envio ou no reembolso.
Quais são as reclamações mais comuns da Chogan?
Se há uma parte em que a Chogan leva críticas justas, é o serviço. São estas as queixas que se repetem:
- Atrasos no envio. As encomendas saem de Itália e podem demorar mais do que os 5 a 7 dias anunciados, às vezes com seguimento pouco claro.
- Reembolsos lentos ou sem resposta. É a queixa mais séria. Há relatos de devoluções que ficaram meses por reembolsar e de contactos respondidos só com mensagens automáticas.
- Contas bloqueadas. Alguns utilizadores dizem ter ficado com a conta suspensa sem grande explicação.
- O consultor errado. Parte das más experiências não é com a Chogan em si, mas com revendedores que receberam o dinheiro e não entregaram, ou que desapareceram sem dar notícias. A responsabilidade é da pessoa, não da marca, mas pesa na tua experiência.
- Duração do perfume. Alguns clientes acham que certas fragrâncias duram pouco. É subjetivo e varia com a referência e com a pele.
A boa notícia é que quase todos estes riscos se reduzem com uma escolha simples: comprar através de um consultor presente, que responde, acompanha a encomenda e resolve se algo falhar. É por isso que a pessoa a quem compras importa tanto quanto a marca.
E o processo judicial de 2024?
Se pesquisares a fundo, vais encontrar notícias sobre um processo criminal em Itália. É justo que saibas o que é, sem alarmismo e sem esconder nada.
Em maio de 2024, a Guardia di Finanza, no âmbito de uma investigação da Procura de Trani (a operação ficou conhecida por “Paradise World”), apreendeu cerca de 355 milhões de euros em bens ligados à liderança da empresa e aplicou medidas de coação a vários responsáveis, incluindo o fundador. Em abril de 2025, essas medidas foram agravadas para prisão domiciliária no caso de dois dos visados.
Importa perceber do que trata o processo. As alegações são de natureza fiscal e financeira: associação criminosa, fraude fiscal e branqueamento de capitais, a partir da forma como a empresa terá registado os vendedores para pagar menos impostos. Repara em três pontos:
- É um processo sobre a liderança e as contas da empresa, não uma decisão de que os produtos são falsos nem de que os clientes foram enganados.
- Não é uma decisão de que o modelo de negócio da Chogan é um esquema em pirâmide. Nenhum tribunal disse tal coisa.
- Não há condenação neste caso. Há acusações, bens apreendidos e medidas de coação. Em Itália, como em Portugal, vale a presunção de inocência até haver decisão final.
Existe ainda, num processo relacionado mais antigo, um acordo (o chamado “patteggiamento”) em Itália por crimes fiscais, que é por agora o único desfecho judicial concreto. A empresa continua ativa e a operar em 2026. Reúno as datas e os factos com mais detalhe num artigo dedicado ao caso; aqui fica o essencial e o enquadramento certo para o ler.
Então, a Chogan é de confiança?
Juntando tudo, a minha resposta honesta é: a Chogan é de confiança como marca e como produto, com ressalvas no serviço e uma questão por esclarecer na liderança em Itália.
De confiança para comprar? Sim, com bom senso. Os produtos são reais, o preço é atrativo e muitos clientes repetem a compra. O maior risco não é a marca, é o envio e o reembolso, e esse risco cai para quase nada se comprares por um consultor presente e pedires amostras antes de gastar num frasco grande.
De confiança para fazer negócio? Também, desde que entres de olhos abertos: é venda direta legal, sem esquema, mas o rendimento não é garantido e o processo em Itália é um ponto a acompanhar. Se estás a pesar essa parte, vê primeiro se a Chogan vale a pena no teu caso.
Confiar não é acreditar em tudo o que a marca diz sobre si própria. A essência a 30%, o “100% natural” e afins são alegações da Chogan, não factos testados de forma independente. Confiar é distinguir o que é facto do que é dúvida ou risco, e decidir com base nisso.
Tens uma dúvida sobre a Chogan que não ficou respondida? Deixa-me a tua pergunta e respondo com sinceridade, mesmo quando a resposta não me dá jeito. Se preferires, começa por ver o catálogo de produtos.